Dia dos Namorados: uma oportunidade para abandonar de vez os estereótipos

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Desde o início desta semana você provavelmente viu por aí um monte de coraçõezinhos nas lojas, cartazes com casais jovens e felizes para todo lado e sugestões de “para ele” em azul e “para ela” em cor-de-rosa em várias revistas. Mas agora que o Dia dos Namorados finalmente chegou, olhe à sua volta: será que a realidade bate com os anúncios?

No post de hoje, não vamos falar sobre como dar as dicas perfeitas de presente nos seus textos de Dia dos Namorados (mesmo porque agora está meio em cima da hora, né?), não vamos te contar o que você deve comprar para ele ou ela, nem vamos reclamar do fato de esse ser uma data totalmente comercial.

Em vez disso, vamos aproveitar essa oportunidade para te mostrar como seus textos podem ficar mais inteligentes, mesmo com uma temática tão supérflua. Quer ver?

Temáticas e seus clichês

Se você trabalha como redator web há pelo menos dois meses, provavelmente teve que escrever alguma coisa sobre o Dia das Mães, não é? E se deu uma olhada em referências e outros posts sobre o assunto, com certeza viu algumas sugestões bem clichê, do tipo maquiagem, sapatos (que mulher não adora ganhar sapatos?!) e até utensílios de cozinha.

O problema é que esse tipo de visão carregada de estereótipos já está ficando ultrapassada, e se você não começar a mudar agora, daqui a algum tempo pode ser que seu empregador se pergunte se aquele texto que você enviou na verdade não foi escrito pelo seu avô.

Tirando os olhos do seu reflexo

Pode até ser que você seja um cara que tem uma namorada que adora moda e beleza. Mas antes de escrever um post para o Dia dos Namorados dizendo que “toda mulher adora ganhar perfume de presente”, pare e reflita: será que o seu leitor é mesmo igualzinho a você?

Se você está escrevendo para uma loja de perfumes, é compreensível que queira puxar a sardinha para o lado do cliente, mas tem certeza de que o público do texto é composto exclusivamente por homens procurando presentes para suas namoradas?

E se for uma menina querendo um perfume para “ele” ficar mais cheirosinho? E se for um casal do mesmo sexo? Nesse caso, as chances de o leitor ver o seu post e pensar “opa, esse post não é pra mim, estou no lugar errado” são altas, concorda? E aí é um lead a menos no site do seu cliente.

A questão da neutralidade dos gêneros pode até ainda ser tabu no Brasil, sua religião pode não permitir, etc., etc., mas pensando que o seu cliente — ou, mais importante ainda, o cliente do seu cliente — não faça parte desse grupo mais conservador, como você pode fazer para não ofendê-lo (ou ofendê-la!)?

Abra a cabeça

E não é só nos textos “comemorativos” que esse tipo de ideia transparece. Já se pegou escrevendo um texto sobre culinária e pensando em como as mães vão adorar suas sugestões de lanches para as crianças? Mas quem disse que um pai — ou até um tio ou avô — também não pode colocar a mão na massa para preparar a merenda?

Quando o tema tem a ver com dinheiro, esses clichês também costumam ser bem fortes, e o que não faltam são calls to action sugerindo que o leitor invista para “assegurar o futuro de sua esposa e filhos”. Mas não são só “pais de família” que podem investir, e a segurança da família não é nem de longe o único motivo para fazê-lo, certo?

É claro que, em determinados contextos (e é só ficar de olho nas personas do cliente para saber quando), ser mais conservador é necessário sim, mas isso não deve se tornar via de regra nos seus textos. Não precisa defender a diversidade com unhas e garras a cada palavra, mas para evitar cair no vício do estereótipo e desagradar muita gente que não faz parte do grupo seleto que ele representa, abra a sua mente e esteja disposto a aprender.

Aceite que as pessoas não são um modelo predefinido de conceitos imutáveis: um investidor não é necessariamente um homem de terno e nem todo mundo que gosta de se aventurar na cozinha é aquela dona de casa fofíssima, de avental e rolo de massa na mão. O mundo está mudando, e se você ainda acredita (mesmo que inconscientemente) nessas ideias ultrapassadas, saiba que até a Marvel já abriu os olhos.

E aí, vai pensar duas vezes agora antes de colocar um estereótipo nada inofensivo nos seus textos? Comente e compartilhe a sua opinião sobre o tema, afinal, a gente também está disposto a aprender com você!

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Sobre Luiza Caetano

Estagiária de Qualidade e consumidora compulsiva de cookies.