Guia completo de como usar vírgula!

Guia completo de como usar vírgula!

Você provavelmente ouviu em algum momento da escola que deve usar uma vírgula toda vez que parar para respirar. Se essa é a sua referência para pontuar seu texto, temos uma notícia ruim e uma boa: tudo o que você sabe sobre vírgula está errado, mas não é preciso se descabelar.

Você provavelmente ouviu em algum momento da escola que deve usar uma vírgula toda vez que parar para respirar. Se essa é a sua referência para pontuar seu texto, temos uma notícia ruim e uma boa: tudo o que você sabe sobre vírgula está errado, mas não é preciso se descabelar.

No post de hoje, vamos te ensinar como usar vírgula da maneira correta. Te ajudaremos a entender de uma vez por todas a lógica desse sinal de pontuação, com exemplos claros, e vamos dividir alguns segredos para que você nunca mais se confunda.

Antes de começarmos, um aviso: vai ser preciso falar um pouco de gramática aqui, mas não se desespere. A gente explica tudo com calma para você entender!

Pronto? Então respire fundo e vamos lá:

Entendendo como usar vírgula

A vírgula é um sinal de pontuação que indica uma pausa curta, mas não o final do enunciado. Ela pode ser uma excelente aliada para desfazer ambiguidades, realçar informações e garantir um bom ritmo ao seu texto; mas, para isso, é preciso entender como ela funciona.

Como acontece com grande parte da gramática da língua portuguesa, existem muitas opiniões divergentes sobre quando é necessário ou não usar a vírgula, e muitos casos são facultativos. Além disso, no dia a dia pode acontecer de duas regras se sobreporem e muitas vezes é preciso analisar cada caso individualmente.

Por isso, em vez de tentar decorar todas as regras, é mais frutífero entender como ela pode te ajudar a organizar seu texto.

Encadeamento de ideias

O principal papel da vírgula é indicar quais ideias se relacionam e quando há uma pausa não necessariamente na leitura, mas no raciocínio que você está desenvolvendo. Por isso, elas são fundamentais para organizar bem suas ideias.

Uma boa dica para isso é, sempre que precisa interromper o fluxo da frase para acrescentar uma explicação, incluir essa informação entre vírgulas. Por exemplo:

“Carlos, o irmão da minha vizinha, chegou em casa um dia e encontrou Boris, o gato dele, completamente coberto de tinta azul.”

Outra maneira de usar as vírgulas para deixar seu texto mais organizado é incluí-las quando estiver unindo 2 ideias que já têm sentido completo, mas estabelecem alguma relação entre si. Peguemos as seguintes frases:

  • A Netflix lançou a nova temporada de Orange Is The New Black.
  • Não saí de casa no fim de semana.

As duas informações fazem sentido individualmente, mas, se você quiser explicar que a primeira foi o motivo da segunda, inclua uma vírgula entre elas:

“A Netflix lançou a nova temporada de Orange Is The New Black, por isso não saí de casa no fim de semana.”

Ênfase de termos

Colocar alguns trechos entre vírgulas também serve para enfatizar uma informação. Porém, mantenha em mente que isso não pode ser feito a esmo, isolando qualquer palavra!

De modo geral, use essa técnica com lugar, tempo ou modo (ou seja, termos que cumprem papel de adjunto), principalmente se eles vierem no início da frase. Reparou que fizemos isso nessa última frase, isolando o “de modo geral”?

Ritmo de leitura

Finalmente alguma coisa que tem um pouco a ver com respiração. A vírgula de fato indica uma pausa no texto e, por isso, pode ser usada para deixar a leitura mais fluida. Mais uma vez, isso não significa que você pode incluir vírgulas em qualquer lugar!

Para usar essa pontuação a favor do ritmo do texto, escolha com cuidado em quais casos facultativos aplicar a vírgula. Se todas as suas frases começarem com um adjunto isolado por vírgula, por exemplo, a leitura vai acabar ficando monótona.

Conhecendo os principais casos

Agora que você já entendeu a ideia geral da vírgula e como ela pode deixar seu texto melhor, vamos para a parte mais desafiadora: conhecer os principais casos em que a gramática exige ou proíbe essa pontuação.

É bem provável que apareçam alguns termos cabeludos por aqui, mas se preocupe menos com eles e mais com entender o sentido da regra. Se você não quiser mesmo lidar com gramática, pule para o próximo tópico, em que vamos te contar o segredo para não se confundir mais com tantas normas.

Quando é obrigatório usar a vírgula

Orações adjetivas explicativas

Lembra que, no tópico anterior, te falamos para separar suas explicações do resto da frase? A ideia é a mesma, só que aqui isso é uma regra, não uma sugestão. Vamos a um exemplo:

“O Príncipe dos Demônios foi apresentado pela primeira vez na série de RPG Dungeons & Dragons. O monstro, que aparece na série Stranger Things, chama-se Demogorgon.”

A função do trecho “que aparece na série Stranger Things” é acrescentar uma informação a mais sobre o monstro de que estamos falando. Por isso, trata-se de uma oração adjetiva explicativa, que deve necessariamente vir entre vírgulas.

A dúvida nesse caso aparece porque existe outro tipo de oração que segue a mesma estrutura, mas tem uma função diferente: a oração adjetiva restritiva, que não pode vir entre vírgulas.

Seu professor de português do colégio provavelmente te ensinou a diferenciar as duas falando que uma (a oração adjetiva explicativa) diz respeito ao geral e a outra (a oração adjetiva restritiva), ao específico.

Apesar de essa explicação não estar errada, pode ser difícil fazer essa análise. Afinal, no exemplo de oração explicativa aqui de cima, nós também estamos falando de um monstro específico, não?

Por isso, aqui vai um dos segredos que te prometemos: para saber como usar a vírgula de oração adjetiva explicativa, experimente ler a frase sem o trecho que está causando dúvida. Se continuar fazendo sentido dentro do contexto, é porque se trata de uma oração adjetiva explicativa, que deve vir entre vírgulas.

Se, por outro lado, parecer que falta alguma coisa ou a ideia não ficar muito clara, trata-se de uma oração restritiva, então nada de vírgulas! Tente essa dica com o exemplo ali de cima e com este:

“O monstro que aparece no 3º livro de Harry Potter chama-se dementador. O monstro que aparece em Stranger Things chama-se Demogorgon.”

E aí, ficou mais fácil? Então pode respirar aliviado, porque o pior da gramática já passou.

Orações adversativas

Orações adversativas são aquelas que exprimem ideia de oposição ou contraste, como “ouvi o álbum novo da Adele, mas nem chorei”. Toda vez que você usar uma oração adversativa, ela precisa vir precedida por vírgula.

Para facilitar, fique de olho em termos como “mas”, “contudo”, “porém”, “todavia” e “entretanto”, que, na maioria das vezes, indicam essas orações.

Vocativo

Sabe aquele “véi”, “cara”, “mano”, “meu”, “miga” ou qualquer outra variação comum ao seu estado? Isso se chama vocativo, o termo que você usa para indicar ou chamar a atenção do seu interlocutor. Ele sempre precisa estar entre vírgulas.

Ou seja: sempre que um termo na sua frase puder ser substituído por uma dessas palavrinhas, vírgulas nele!

Quando é proibido usar a vírgula

Existem 2 situações em que a vírgula não deve ser usada de maneira nenhuma: entre o sujeito e o predicado e entre o verbo e seu complemento. Para entender isso, vamos precisar de mais uma dose (pequena, quase homeopática) de gramática.

O sujeito é quem sofre ou pratica a ação. Ele pode ser tanto um termo quanto uma oração completa, como acontece em “Assistir a séries de TV é um dos meus principais hobbies”. O verbo é a ação praticada ou sofrida, e o complemento, o que ou quem.

Ou seja: nada de colocar vírgula entre “Assistir e “a séries de TV”, nem entre a primeira oração e a segunda. Combinado?

Desvendando as interseções

Até aqui, falamos de um monte de regras e boas práticas que, individualmente, não são tão desafiadoras. Até que chegamos em um texto e encontramos uma frase como:

“A garota, usando seus superpoderes, tentou ajudar o amigo, mas, apesar dos esforços, falhou.”

Ué, mas não acabamos de dizer que não podemos separar sujeito e predicado? Como avaliar cada um dos aspectos para saber se essas vírgulas estão certas?

O grande segredo é usar a matemática a seu favor. Sim, a matemática! Não precisa pegar a calculadora, porque a analogia é simples.

Em expressões matemáticas, quando alguma parte vem entre parêntesis, ela precisa ser resolvida primeiro. Com as vírgulas, é a mesma coisa: tente encontrar quais delas formam uma dupla, isolando um determinado trecho da frase, e analise-o individualmente para entender se a regra está certa:

“A garota, usando seus superpoderes, tentou ajudar o amigo, mas, apesar dos esforços, falhou.”

Destacando cada par de vírgulas por cores, fica mais fácil entender que aquela depois de “garota” não está separando sujeito e predicado, mas sim isolando “usando seus superpoderes”.

Assim, se ficar na dúvida sobre alguma vírgula na hora de revisar seu texto, é só conferir se ela faz par com outra para isolar um termo ou se está realmente no lugar errado.

Foi um trabalho e tanto chegar até aqui, mas deu para entender que usar a vírgula não tem nada a ver com parar para respirar. Esperamos que as doses de gramática não tenham dado um nó no seu cérebro, mas, se tiver alguma dúvida, é só deixar aqui nos comentários!

Fique de olho na sua pontuação quando for escrever para garantir que suas ideias estão claras e volte a esse post sempre que precisar refrescar a memória sobre como usar vírgula. E se quiser ter à mão mais uma referência para deixar seus textos ainda melhores, conheça também a nossa cartilha da nova ortografia!

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