Web Semântica: o que é isso?

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A web semântica é uma inovação que está organizando a informação na internet e, com isso, revolucionando a entrega de conteúdo ao usuário. Embora a web semântica nos proponha que esqueçamos a web tal qual a maioria de nós conheceu, ela não é exatamente uma nova web. O que estamos experimentando é a extensão da atual. Isso afeta qualquer pessoa que produz conteúdo para a web.

Por anos vivenciamos fortemente a chamada “web de documentos”, na qual as pessoas eram os únicos agentes de interpretação de conteúdo. Agora, estamos em meio à migração para a eloquente “web de dados”, cuja proposta é referenciar os dados de modo que o conteúdo faça sentido tanto para as pessoas como para as máquinas. Por isso, esta web também é chamada de “web dos significados”.

Um dos principais impulsionadores da web semântica é o crescimento explosivo de informação na internet. De acordo com a Cisco, somente no ano de 2016, o volume de dados na internet atingirá a marca de 1,3 “zettabyte” — número que representa mais que o total circulado entre os anos de 1984 e 2012.

Isso evidencia que entregar conteúdo de forma eficaz aos usuários tornou-se o grande desafio da atualidade, especialmente para os mecanismos de busca. Mas não só para eles, já que as mídias sociais, as redes corporativas e as plataformas de e-mails também são exemplos de beneficiários dessa nova forma de organização de dados.

Como surgiu a web semântica

Para enfrentar o desafio de organizar e entregar eficazmente o conteúdo que circula na internet, Tim Berners-Lee, que propôs a web atual, propôs a web semântica. Isso aconteceu em 2001, mas só atualmente ela está se tornando uma realidade.

Na prática, a web como conhecemos permitiu que os buscadores entregassem conteúdo a partir da indexação sintática de palavras-chave. O método foi eficaz enquanto o volume de conteúdo na internet era considerado pequeno.

Entretanto, Berners-Lee já previa seu crescimento exponencial. Assim apresentou o conceito da web semântica. Uma infraestrutura de banco de dados na qual o resultado coletado pela máquina e entregue ao usuário é uma associação, uma dedução — como de quem interpreta a informação — por meio de um conjunto de softwares de inteligência bem mais refinados que anteriormente.

Como funciona a web dos significados

Antes, quando os usuários pesquisavam um determinado termo na web, o Google fazia suas varreduras em todos os sites e retornava resultados em conformidade com as palavras digitadas.

Esse modelo de entrega tinha um caráter restritivo e vinha promovendo insatisfação nos usuários. Isso ocorre por causa da multiplicidade de significados que uma mesma palavra pode ter. Assim, uma determinada busca resultava em inúmeras respostas desinteressantes ao leitor.

Por exemplo, o termo “letras” podia retornar sites que abordassem assuntos relacionados a letras do alfabeto, ou a letras de canções ou ainda a letras caligráficas de pessoas.  Dessa forma, o leitor era sempre o agente ativo na seleção do site que mais o interessava. Sua atuação era fundamental e decisiva porque é o contexto no qual os vocábulos se apresentam que determina seus reais significados.

Na web semântica, a inovação tecnológica atua para apresentar um resultado do termo pesquisado em contextos mais convergentes aos quais os usuários se referem. Seu objetivo é melhorar a entrega, poupar tempo e trabalho do leitor, devido à maior “compreensão” do sentido da informação pelos computadores.

Quais os recursos da web de dados

Fazer computadores compreenderem o sentido das palavras é tarefa dos metadados. Ou seja, a web semântica funciona a partir da incorporação de metadados aos sites e visa ajudar as máquinas a interpretarem o real interesse dos usuários.

Metadados são dados complementares que “falam” sobre os dados originais. Significam dados referentes a outros dados que, acrescidos por ferramentas tecnológicas, buscam a convergência ao conteúdo pesquisado na web.

Várias tecnologias foram propostas para viabilizar a web semântica. Berners-Lee, já mencionado anteriormente aqui, criou o consórcio W3C (World Wide Web Consortium). O propósito dele é definir padrões para aplicações semânticas que resultem em uma web onde as máquinas possam inferir sobre as informações contidas na web, independentemente do formato (textos, imagem e som).

Nesse contexto, um dos maiores esforços está centrado na padronização das nomenclaturas de descrição de dados. Para isso foram criados alguns projetos e entre eles estão o RDF e o Schema.org — usado por desenvolvedores de sites para atender à tendência da web de dados.

No Google, a web semântica vem sendo incorporada há algum tempo. Em 2013, o gigante das buscas apresentou o hummingbird (beija-flor), por exemplo. Um algoritmo que lida diretamente com a questão semântica dos conteúdos na web e está fazendo uma grande diferença na qualidade dos retornos das buscas.

O que a busca semântica muda para quem escreve para web

A busca por palavras-chave específicas está entrando em desuso. A web dos significados visa a atender tendências de pesquisas conversacionais realizadas pelos usuários.

Ao invés de buscarem “letras” e receberem retornos tão diversos quanto fora de contextos, os usuários preferem pesquisar na forma coloquial de uma conversação. Por exemplo, “qual é a letra da música mais romântica do mundo”.

Por isso, quem escreve para web precisará adotar novos recursos em seus textos.  Ao planejarem o conteúdo, o melhor é se basear em:

  • Perguntas que os leitores formulariam para encontrar aquele tema em suas buscas; e
  • Palavras e expressões diretamente relacionadas ao tema principal.

Amplificando as possíveis formatações de perguntas:

  • Qual a canção de amor mais apaixonada do planeta;
  • Qual a letra de música mais sentimental do universo;
  • Qual é a sofrência é mais ouvida no mundo.

Relacionando potenciais expressões:

  • Canção de amor;
  • Música apaixonada;
  • Letra de música;
  • Trecho de canção;
  • Letra musical;
  • Canção amorosa;
  • Música sentimental.

O valor da web semântica

Quando foi proposta a web de documentos, profissionais de diferentes áreas do conhecimento no mundo inteiro se empenharam em compartilhar e trocar experiências para que ela se tornasse uma realidade.

Hoje, a web semântica carece do mesmo movimento. Por isso, convidamos você que escreve para a web a compartilhar este post e distribuir informação para que os usuários da internet possam vivenciar cada vez mais os benefícios deste modelo. Que tal? 🙂

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